PP investe em duas candidatas de Londrina e esquece outras

O portal O Londrinense informa que nas últimas eleições, os partidos políticos despejaram dinheiro do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral – as duas principais linhas de financiamento de campanhas desde que as empresas foram proibidas de fazer doação  – para eleger seus candidatos às Assembleias Estaduais e Câmara Federal. O problema é que ambos são dinheiro público e quem paga por isso somos nós, através de impostos e multas. E isso está ficando caro para nossos bolsos. Uma candidata de Londrina chegou a gastar R$207 por voto.  

Pela lei, os partidos devem investir 30% das verbas na participação feminina. No entanto, a distribuição não é equitativa. Alguns partidos privilegiaram algumas candidatas em detrimento de outras. Foi o caso do Partido Progressista (PP) que teve uma candidata ao governo do Estado, várias à Assembleia Legislativa e uma à Câmara Federal. No entanto, apenas três delas, além da candidata ao governo, receberam verbas significativas e puderam esbanjar, sem se preocupar com custos.

A deputada Maria Victoria Barros (PP), filha do ex-ministro Ricarto Barros e da ex-governadora Cida Borghetti, por exemplo, foi a única mulher do partido a ser eleita – no caso, reeleita. Ela gastou R$915 mil na campanha, sendo que R$687.350,00 vieram do Diretório Nacional do PP, R$115 mil do Diretório do DEM e R$88.000, do Diretório Estadual/Distrital. Ela foi reeleita com 50.414 votos, por quociente partidário. Com isso, o cidadão pagou R$18,14 para ela conquistar cada voto.

Em Londrina, dois casos chamaram a atenção de um leitor que procurou O Londrinense questionando sobre a distribuição dos valores. “Alguns candidatos, por exemplo, receberam zero contribuição do partido. Por que as duas mulheres foram tão beneficiadas?” questionou. Uma busca no DivulgaCan, do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode comprovar os fatos.

A atual vereadora Daniele Ziober e Adriana Aguilera receberam juntas quase R$850 mil para suas candidaturas à Assembleia. Outras cinco candidatas do PP – de várias localidades do Paraná – somaram juntas R$210 mil em doações do diretório nacional e outras três não receberam nenhum valor. A única candidata a deputada federal do PP, Luana Suzarte, recebeu R$176.776,00 do diretório nacional. Ela teve 1.965 votos e cada um custou ao cidadão R$89,96.

A vereadora londrinense recebeu R$410 mil do diretório nacional do PP e R$25 mil do diretório estadual/distrital do PP, somando R$435 mil. Ela gastou R$422.311,50. Desse valor, 68% ou R$287,3 mil foram com despesas de pessoal (cabos eleitorais). Daniele Ziober fez pouco mais de 6.800 votos para o cargo de deputada estadual, o que significa que o cidadão investiu R$63,97 para cada voto que ela obteve.

Já Adriana Aguilera recebeu  R$364 mil do diretório nacional do PP, R$35 mil do diretório nacional do Democratas e R$15 mil, do diretório estadual/distrital do PP, que somaram R$414 mil.  Ela gastou toda a verba, com cerca de 40% do total (R$165 mil) foram registrados com despesas de pessoal (cabos eleitorais). Adriana fez cerca de 2 mil votos. Para cada um deles, o cidadão pagou R$207.

Adriana diz a verba recebida está ligada aos 30% que devem ser destinadas às candidatas. Ela diz que não solicitou toda essa verba, não sabe porque foi escolhida para receber o total mas que “ficou feliz com a confiança depositada nela”. “Infelizmente não fui eleita desta vez, mas acreditaram no meu potencial e estou à disposição para novas empreitadas”, afirma. Ela diz que o fato de ser casada com Ricardo Aguilera, assessor técnico da CMTU e ex-assessor parlamentar do então deputado federal e atual prefeito Marcelo Belinati (PP), não influenciou o partido na hora de ser escolhida para receber o dinheiro. “Ele me ajudou na campanha, claro, mas não foi atrás de pedir dinheiro nem nada”, garante.

O presidente do diretório municipal de Londrina, Bruno Ubiratan, não soube explicar os critérios que o Diretório Nacional usou para escolher as duas candidatas londrinenses para aplicar tanto dinheiro, deixando todas as outras com pouco ou muito pouco. Segundo ele, a decisão não foi sequer comunicada ao diretório municipal. “Nada disso passou por mim, nem tinha conhecimento”, garante. Ele anunciou que está prestes a deixar a presidência do diretório porque está sobrecarregado com o trabalho à frente da Codel.

O Londrinense tentou falar com a vereadora Daniele Ziober mas ela disse, via assessoria de imprensa da Câmara de Londrina, que iria pedir ao responsável pela prestação de conta da sua campanha para prestar os esclarecimentos. Até as 20 horas de ontem, ninguém entrou em contato. Se o fizerem, atualizaremos a matéria. O jornal também está tentando falar com o diretório nacional do PP desde a manhã de ontem mas ninguém atende o telefone no local designado como sede, no 17º. Andar do Anexo I do Senado Federal.  As contas das duas candidatas ainda estão sob análise do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Curitiba.

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