Zé Boni diz que pretende cortar 50% dos cargos comissionados

Zé Boni (Foto: divulgação)

O Bem Paraná entrevistou o candidato do PTC à prefeitura de Curitiba, Zé Boni, que foi vereador de Santa Cruz do Monte Castelo (região Noroeste) e superintendente da Cohapar no governo Beto Richa. Em 2018, disputou o Senado, fazendo 264 mil votos. Agora, tenta chegar ao comando da capital paranaense prometendo cortar gastos, reduzindo em até 70% o número de cargos comissionados da administração municipal.

Em entrevista ao Bem Paraná, Zé Boni também critica o subsídio da atual gestão às empresas do transporte coletivo e afirma ter visitado na pré-campanha todos os 75 bairros da cidade. Promete ainda, se eleito, despachar a cada quinze dias de Brasília, para atrair recursos federais para investimentos em Curitiba, que hoje, segundo ele, acabam indo em sua maior parte para estados e municípios das regiões Norte e Nordeste do País.

Bem Paraná – Se hoje fosse 1º de janeiro de 2021 e o senhor tivesse sido eleito prefeito, qual seria a sua primeira medida?
Zé Boni – Cortar em pelo menos 50% os cargos comissionados da prefeitura imediatamente. E até o final do terceiro ano, ficar com apenas 30% dos cargos existentes hoje. Nós só vamos ver as coisas profundamente quando entrarmos lá. Eu vejo o prefeito falando muito que ele é apaixonado pela cidade. É até bonito de se ver. Eu sou Zé Boni. Boni vem de italiano, de pegar, agora menos por causa da pandemia. De apertar mão, olhar nos olhos, dar um abraço. Primeiro nós temos que ser apaixonado por pessoas que habitam nossa cidade. Não é admissível, eu gravei um vídeo, está nas minhas redes sociais, (funcionários da prefeitura) arrancando asfalto em boas condições ali na (avenida) Visconde de Guarapuava, não tinha um buraco que caiba uma moeda de 50 centavos e eles colocando asfalto novo. Enquanto isso, olha lá a Vila Pantanal, no Tatuquara, há 30 anos quando chove demais é aquela lama que ninguém sai. Quando é sol é poeira, acabando com a saúde das crianças, das pessoas com mais idade. Essa é a Curitiba que nós não queremos mais. Nós somos a oitava capital do Brasil e a quinta em arrecadação. Moramos em uma cidade bilionária. É só fazer o feijão com arroz. Não precisa inventar. Vamos colocar sistemas compliance, vamos enxugar a máquina pública. Chega da prefeitura ser cabide de emprego para aliados políticos, para partidos que apoiam em campanha, para vereadores, aliados e apadrinhados de vereadores da base. É um novo tempo, uma nova história e uma nova Curitiba.

BP – O que o senhor achou do subsídio repassado pela atual gestão às empresas de ônibus pela perda de passageiros durante a pandemia?
Zé Boni – Quem não teve perdas? Desde a pessoa mais simples, que tem uma renda informal para comprar seu alimento até um cientista profissional. Todo mundo teve perdas. O pequeno, médio e grande. Agora o prefeito dar até R$ 200 milhões do fundo de reserva do município para os milionários das empresas de ônibus que estão explorando o transporte coletivo de Curitiba há décadas. Eu teria feito totalmente diferente. Eu teria pego os pequenininhos, aqueles que são os maiores geradores de emprego. Não são as grandes empresas. São os que têm um pequeno comércio nos bairros. Teve amigos, vizinhos meus que tinha um giro de R$ 5 mil, R$ 6 mil, r$ 10 mil teve que fechar. Porque ele não vendeu durante 90 dias e não tinha giro para pagar. Esses é que teriam que receber socorro emergencial de até R$ 200 milhões. Esses sim que deveriam ser valorizados pela prefeitura. Agora os empresários do transporte?

Bem Paraná – Em fevereiro tem o reajuste dos salários dos motoristas e cobradores de ônibus e da tarifa. Como pretende administrar isso? 
Zé Boni – Nem pensar em aumentar a tarifa nesse momento. Da crise que nós estamos atravessando. É uma crise geral. Graças a Deus estamos recuperando. Nós sabemos que mexeu com a economia mundial. Olha a maior potência, Estados Unidos sentiu, os maiores países da Europa. Eu acho que não podemos reajustar. Eu acho que a passagem, dá para baixar ainda mesmo com perdas. Eles querem ganhar mais e mais. Em relação aos cobradores e motoristas, eles estão muito preocupados. Eu sou apaixonado pela tecnologia. Mas a tecnologia que desemprega pais e mães de família eu sou contra. Eu estou vendo que estão querendo, aos poucos, tirar os cobradores. São pais e mães de família que trabalham pelo seu sustento. Temos que ter diálogo. Não pode reajustar nesse momento de crise pós-pandemia. Se Deus quiser até fevereiro vamos ter a vacina. Não penso que nem deve desempregar cobradores, nem reajustar a passagem nesse momento. Temos que entrar lá, verificar a situação, enxugar a máquina, cortar na carne e ter um diálogo com eles. O prefeito disse, várias vezes, que não aumentaria, e quando assumiu aumentou.

BP – Onde conseguir recursos para investimentos em meio à crise?
Zé Boni – Eu quero despachar de Brasília a cada quinze dias. Não vou onerar um centavo para a prefeitura. Nem de passagem aérea, que eu vou comprar para o ano inteiro, nem de aplicativos, táxis e hotel. Eu vou ganhar quase R$ 30 mil. Um prefeito ganha muito bem. Eu defendo o pacto federativo. Tudo o que se arrecada nas cidades que fique aqui. Mas há muito interesse, principalmente, dos estados e das cidades do Norte e do Nordeste. Enquanto isso não acontece, nós temos que buscar o dinheiro que é nosso, que vai para Brasília. Nós temos o melhor plano de governo da história de Curitiba. Demandas levantadas por mim e veio muitos técnicos competentes voluntários. Demanda nós temos. Vamos montar uma equipe técnica a partir da transição e a cada quinze dias vou despachar de Brasília. Lá está o grosso do dinheiro nosso, impostos que nós pagamos. Demanda, equipe técnica com projetos e ‘operação suvaco’. É o prefeito pegar os projetos e bater portas de ministérios. Os grandes e mais importantes ministérios sobra dinheiro todo ano por falta de projetos. Brasileiro é muito ruim de projetos porque quer ocupar os cargos com indicações políticas.

BP – É favorável à terceirização dos serviços de saúde?
Zé Boni – Tudo o que for mais econômico e for benéfico ao povo tem o nosso apoio. Como nós vamos zerar as filas para as creches em quatro anos? Nós vamos fazer parceria com as creches particulares. Esses dias me reuni com 75 donos de escolas particulares. Eles me relataram que uma escola particular custa dez vezes menos que uma municipal. Nós vamos fazer parcerias com as igrejas. As igrejas têm os seus projetos. E tenho certeza que com muita economia, planejamento e amor pelas mães que querem apenas trabalhar para aumentar a renda da casa, nós queremos deixar os seus filhos em segurança. E vamos criar também a creche do idoso, que foi muito prometida. Quantas pessoas em minhas visitas relataram que às vezes tem um trabalho e não pode trabalhar porque tem que cuidar da sogra, do sogro, da mãe. Se for para o bem deles, se gerar mais economia, com certeza nós vamos partir para o sistema de terceirização. Eu sou a favor em alguns pontos, outros não. Tudo o que for terceirizado, que ofereça um bom trabalho e economia para o município, eu apoio.

Bem Paraná – O senhor acha que as aulas devem voltar ainda este ano ou no ano que vem?
Zé Boni – Acho que tem que voltar aos poucos. Alunos de 4ª, 5ª série. Os professores que tem nos ajudado no nosso plano de governo estão falando em voltar aos poucos. É um desejo dos pais dos alunos também. Os pais precisam trabalhar. Vou dar o exemplo do meu filho, que tem 9 anos e estudou no ano passado, estudou na escola municipal Miriazinha Braga, no Bom Retiro, uma excelente escola. Ele está passando as férias na casa da avó no interior. Porque mesmo minha esposa trabalhando, uma pessoa cuidando, ele não aguentou ficar dentro de casa. Então a atividade escolar, por mais que não seja escola integral, faz muito bem, ela é saudável para a vida do aluno. O aluno não indo para escola não toma uma vitamina D, não interage com o amiguinho dele. Vamos ser sincero, não está legal essas atividades em casa. Isso tem estressado os pais e eu sinto a saudade dessas crianças dos professores, dos amiguinhos. Então aos poucos, seguindo todos os protocolos de segurança. Olha o que o prefeito fez. Fechou os parques, as academias ao ar livre, as igrejas. As igrejas são o socorro, para dar uma cesta básica para uma família que está com necessitade, para levar uma palavra, um conforto espiritual. Eu sou cristão evangélico. A minha igreja tem 2.500 membros e capacidade para entre 853, a principal entrada e a galeria. Nosso pastor colocava 130 pessoas lá seguindo todos os protocolos, com distância de três metros um do outro. Agora vem cá? Dentro da igreja, nos parques, é muito fácil pegar a doença. Quantos mortos já tivemos, mais de 1 mil. Eu creio que a maior aglomeração que as pessoas foram infectadas foram dentro dos ônibus e nas filas de supermercados. Nunca na história os supermercados venderam tanto. Aí restringia e aglomerava. Eu sempre vou ao mercado aos domingos, tenho uma vida muito corrida. Aí eu tinha que ir no sábado. O que ia no domingo não se encontrava com o de sábado? Teve muita inversão. Sou a favor da volta às aulas aos poucos, gradativamente.

BP – Seu plano de governo fala em contratar 1 mil guardas municipais. O que a prefeitura pode fazer na área de segurança, considerando que constitucionalmente se trata de uma responsabilidade do governo do Estado?
Zé Boni – Não teve uma vila e um bairro que não estive em Curitiba que a principal demanda ainda, acima da saúde, é a segurança. Sabemos que a segurança pública é dever do Estado, mas boas parcerias trazem resultados positivos. Tinha cidades do interior do Paraná que estavam com a criminalidade estava muito alta. A prefeitura, através de parcerias com os consegs, câmara municipal, secretarias, equiparam seus policiais. Hoje um policial militar tem uma pistola, um revólver. Um bandido tem escopeta, fuzil. E onde que a sociedade, através de uma parceria-público-privada equiparam seus policiais, o número de roubos, homicídios, latrocínios, sequestros diminuíram. Você acha que um policial vai correr atrás de um bandido com um fuzil, ele com uma pistola. Nós temos um dos menores efetivos das guardas municipais. Em torno de 1,5 mil, 1,6 mil. Só que nós temos a escala de trabalho de 12 horas/36 horas. Por exemplo, agora em Curitiba eu não creio que não tenha 500 guardas municipais em trabalho para uma população de 2 milhões de habitantes. Nós temos que imediatamente, já nos primeiros meses do nosso mandato, através de um concurso municipal, já temos essa despesa, vai impactar na folha de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões, que a meu ver, uma cidade que tem um orçamento de R$ 9 bilhões, para ter mais 70% de guardas municipais nas ruas, eu tenho certeza que não é caro. É um pingo de água em chapa quente para oferecer segurança à nossa população.

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