A mamata da tarifa técnica de Curitiba

(Foto: Facebook EP)

José Carlos Chicarelli

Empresários do transporte coletivo de Curitiba nunca enfrentaram concorrência, mesmo em crises econômicas, fazendo chuva ou sol, as empresas responsáveis pelo serviço na capital paranaense nunca tiveram prejuízo, pois tem garantido um percentual na tarifa técnica, evitando riscos nos negócios, com os custos do sistema que sempre sobram na conta do usuário.

Como todas as despesas dos itens que compõem a tarifa técnica são reembolsadas, sem perdas, só lucros, no melhor sistema dos governos petistas, só a população sai perdendo, o empresariado só tem lucro!

Para você entender bem o que é a tarifa técnica do transporte coletivo de Curitiba: é o montante transferido pelo poder público para as operadoras as concessionárias para equilibrar o preço ditado da passagem – o que acabou criando um monstro e por isso nossa cidade tem a mais cara passagem do país.

O custo é dividido entre os usuários e o cidadão que utiliza qualquer outro meio do transporte, como por aplicativo, bicicleta, patim e acredite, até por aqueles que batem perna, e sabe por quê?

Em Curitiba o serviço tem subsídios da prefeitura e do Estado, que são pagos com recursos dos impostos.

Na capital paranaense, esse subsídio é em torno de R$ 100 milhões anuais e remunera os empresários.

Esse recurso pago poderia estar alimentando áreas sociais críticas, como a saúde, hoje com problemas graves nas Unidades de Atendimento (UPAs) e no Hospital do Idoso.

Como são as empresas responsáveis pelas contratações de serviços terceirizados, os custos e as necessidades são vistas com desconfiança, já que muitos itens são controlados pelas operadoras.

Esse contestável item tem elevado os custos dos serviços que aparecem na “planilha da tarifa técnica” e como consequência, acaba onerando o valor da passagem do usuário do transporte coletivo de Curitiba.

Conforme explicado em matérias anteriores da coluna “Transporte Público em Foco”, a manutenção e fornecimento de equipamentos de bilhetagem eletrônica é o maior vilão da tarifa técnica, pois em 2013 durante CPI da URBS, esse serviço foi denunciado como um dos itens superfaturados.

A esperança é de que a entrada de outros modais de transporte alternativos se fortaleçam na principal cidade do Paraná, gerando concorrência e pressionando a URBS para buscar um acordo benéfico para o usuário, principalmente nas linhas de trajeto curto.

Em meu mandato como vereador de Curitiba alertei que aconteceria esta situação – com entrada do Uber em nossa cidade, vivemos um momento histórico de revolução tecnológica que forçará e provocará readequações no valor da tarifa do transporte coletivo.

José Carlos Chicarelli é suplente de vereador e criador da CPI URBS -Transporte Coletivo Curitiba

7 COMENTÁRIOS

  1. O sonho de todo empresario é ter um negócio que só da lucro, o eventual prejuizo é bancado, através de subsidio, do governador e o prefeito que são alinhados com os empresarios do transporte coletivo

  2. Engraçado, em várias cidades do Brasil, o envolvimento de Sacha Reck levou a prisões, menos em Curitiba. Fico me perguntando o que faz o Ministério Público aqui em Curitiba? Nada? Tá na hora disso mudar.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here