Por que Quintana? Por que não Hosken de Novaes?

José Petrelli discute que a proposta do deputado Anibelli Neto (MDB), aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Paraná, dependente ainda da decisão do plenário, nomeia a Hidrelétrica Baixo Iguaçu como Caíto Quintana.

Localizada nos municípios de Capanema e Capitão Leônia Marques, a usina, inaugurada hoje, está operando com as três unidades geradoras e tem 350,2 megawatts (MW) de potência instalada, o suficiente para atender mais de um milhão de pessoas.

O empreendimento foi construído por um consórcio formado pela Copel e a Neonergia e recebeu investimento de R$ 2,3 bilhões. Esta é a sexta hidrelétrica em operação no Rio Iguaçu,
Quintana morreu em janeiro deste ano. Foi deputado estadual em várias legislaturas e chefe da Casa Civil no governo de Roberto Requião. Até aí, tudo bem. O problema é seu passivo ético: investigado na Operação Gafanhoto (desvio de salários dos servidores para o bolso dos deputados) e Operação Integração. Esta é um desdobramento da Lava Jato sobre o pagamento de propina a agentes públicos pelas concessionárias de rodovias.

Com essas manchas em seu currículo, e com todo o respeito ao espírito do finado, é estranho que a Assembleia o homenageie em obra de tal envergadura.

Surge, então, como contraponto, a possibilidade de o homenageado ser o ex-governador José Hosken de Novaes. Ele foi vice de Ney Braga em seu segundo mandato, assumindo o Executivo durante dez meses entre 1982-83 porque o titular renunciou para disputar uma vaga no Senado.
Hosken de Novaes, mineiro de Carambola, foi um dos políticos mais sérios, eficientes e honestos do Paraná, estado que adotou no início da década de 1940, logo depois de se formar na Faculdade Nacional de Direito, do Rio de Janeiro. E um advogado respeitadíssimo por seus pares. Foi, entre outras coisas, procurador-geral do Estado, secretário estadual de Fazenda e prefeito de Londrina, encerrando sua carreira como governador – um governador tão cioso do dinheiro público que pagava o que comia no Palácio Iguaçu.

Há outras homenagens cabíveis para Quintana (que Deus tenha sido misericordioso com sua alma). Hosken de Novaes, falecido em 2006 e que não tem nada em seu nome no Paraná, merece que sua memória seja iluminada por essa hidrelétrica.

José Hosken de Novaes (Reprodução Youtube)

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